Desolação árctica
A escala sobe
Na efervescência marinha
Daninha como erva
Que solve o betão salónico
Que sorve o que eleva
E afoga o pânico tectónico
Tónico desta terra madrasta
E tudo na efervescência se arrasta...
Monday, August 03, 2009
Friday, March 27, 2009
Poesia como morte e poesia II
E se a morte é um poema
O mais altivo e requintado
Morremos nós no seu êxtase
A declamar o conto acabado
E todas as musas reunidas
Ofertam o vocabulário mais rico
As visões mais nítidas
Como assim explico:
Eis a morte é um poema
Que eu não declamava
Nem escrever o sabia
Pois a morte é a poesia
O poema que faltava...
O mais altivo e requintado
Morremos nós no seu êxtase
A declamar o conto acabado
E todas as musas reunidas
Ofertam o vocabulário mais rico
As visões mais nítidas
Como assim explico:
Eis a morte é um poema
Que eu não declamava
Nem escrever o sabia
Pois a morte é a poesia
O poema que faltava...
Tuesday, March 24, 2009
Arquitecturas mentais
Devolvo-te a afecção que me deste
Não te olho mais
Não me conheces o coração
Nem as arquitecturas mentais
Odeio por que sim
Odeio a tua existência na terra
E o teu corpo pendurado por fim
É o coveiro quem o enterra
E o padre dá-te a missa
A despedida é no velório
Mas eu não estou presente
Seria irrisório
Hoje baco desce à taberna
Pois aprecio funerais
E era uma alegria
Não ver-te na terra nunca mais
Nem ouvir-te falar nessa voz que não tolero
Nas minhas tiranas arquitecturas mentais...
Não te olho mais
Não me conheces o coração
Nem as arquitecturas mentais
Odeio por que sim
Odeio a tua existência na terra
E o teu corpo pendurado por fim
É o coveiro quem o enterra
E o padre dá-te a missa
A despedida é no velório
Mas eu não estou presente
Seria irrisório
Hoje baco desce à taberna
Pois aprecio funerais
E era uma alegria
Não ver-te na terra nunca mais
Nem ouvir-te falar nessa voz que não tolero
Nas minhas tiranas arquitecturas mentais...
Saturday, February 14, 2009
Botânica elementar
Sinto os teus lábios quentes de febre no processo botânico de te plantar no meu coração detiorado. Está tudo acabado. Não há paixão que me salve. Não há fogo ardente que me conforte. Não há amor que seja forte. Não há mais noites fingidas de loucas na cama onde te dispuz que nem planta em crescimento. Não há mais porque lutar neste desabamento do que é a raíz profunda sem água para beber. Tenho sede de morrer. Que não há mais nada que me faça tremer de excitação. A minha inflorescência é num caixão.
Este nojo que sinto ao ver-te deitada na cama: Vida incompleta. Vida de luto e de desagrado por tudo o que mexe que nem mal nas pétalas doentes. Já mais nada floresce. Todos os objectivos são livros rasgados das traças. Folhas comidas pelas lagartas.
Olho pela escotilha e vejo essa trepadeira que sobe pelo meu caule e me corrói por dentro que nem insecticida espontâneo. Tudo é momentâneo e sem razão. Murcho esta noite, castanho da terra que me faz de adubo. E nesse solo depois fértil, nascem flores ao cubo...
Este nojo que sinto ao ver-te deitada na cama: Vida incompleta. Vida de luto e de desagrado por tudo o que mexe que nem mal nas pétalas doentes. Já mais nada floresce. Todos os objectivos são livros rasgados das traças. Folhas comidas pelas lagartas.
Olho pela escotilha e vejo essa trepadeira que sobe pelo meu caule e me corrói por dentro que nem insecticida espontâneo. Tudo é momentâneo e sem razão. Murcho esta noite, castanho da terra que me faz de adubo. E nesse solo depois fértil, nascem flores ao cubo...
Thursday, January 08, 2009
Linhas de betão
Troia grita
Uiva de lamúria
Assustada com a gravura
Setúbal cai
As ruas desertas de vida
Os corpos amontoados
Os barcos afundados
Setúbal cai
Debaixo de gotas cristalinas
Ouvi-os rugir
Ao tentarem fugir
Setúbal cai
Não há chamas
Nimbus não sopra
O fim (imagem mortiça) galopa
E Setúbal cai
Cai betão
E cai madeira
Como os mortos na fogueira
Setúbal morre
E todo esse lodo escorre
Para os seios da sem nome
Eis a ruína / a visão que acolhi
Imagem mortiça que sufoca
E engole a terra onde nasci...
Uiva de lamúria
Assustada com a gravura
Setúbal cai
As ruas desertas de vida
Os corpos amontoados
Os barcos afundados
Setúbal cai
Debaixo de gotas cristalinas
Ouvi-os rugir
Ao tentarem fugir
Setúbal cai
Não há chamas
Nimbus não sopra
O fim (imagem mortiça) galopa
E Setúbal cai
Cai betão
E cai madeira
Como os mortos na fogueira
Setúbal morre
E todo esse lodo escorre
Para os seios da sem nome
Eis a ruína / a visão que acolhi
Imagem mortiça que sufoca
E engole a terra onde nasci...
Friday, December 19, 2008
Dive!
Dive into the hearts of men
Dive in wounds and gold
Swim over and over again
No signs of lament
No time for repent
Dive into the cold
O savage beast is life unfolding
Snowflakes of pain and bitter thought
Dive into the hearts of men
You will decay and rot...
Dive in wounds and gold
Swim over and over again
No signs of lament
No time for repent
Dive into the cold
O savage beast is life unfolding
Snowflakes of pain and bitter thought
Dive into the hearts of men
You will decay and rot...
Saturday, December 13, 2008
Margarita é Primavera
Vi os cavalos marinhos partirem
Sobrevoavam e levavam
Com eles Margarita
De mim troçavam
Navegavam depressa
Entre nuvens marinhas
Viajando em moldura espessa
Mantendo coisas minhas
Mas isso mais não existe
Que afoguei as bruxas do mar
Olhem bem para mim
É a primavera a chegar
Margarita floresce ainda mais
É rosa, vinha e perfume
É ela que me preenche
E no inverno acende o lume
Epera o sol em declínio
Pelo quarto crescente
Mora aqui este fascínio
Só ela me faz contente...
Sobrevoavam e levavam
Com eles Margarita
De mim troçavam
Navegavam depressa
Entre nuvens marinhas
Viajando em moldura espessa
Mantendo coisas minhas
Mas isso mais não existe
Que afoguei as bruxas do mar
Olhem bem para mim
É a primavera a chegar
Margarita floresce ainda mais
É rosa, vinha e perfume
É ela que me preenche
E no inverno acende o lume
Epera o sol em declínio
Pelo quarto crescente
Mora aqui este fascínio
Só ela me faz contente...
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